• Renan Gabriel

O fogão nos conta histórias: a vida no insere nelas




As simplicidades da vida, dos gestos, encaminham-nos para lugares distintos. O fogão, a lenha; as panelas escuras pelo tempo revelam que ali há vida! E não só isso, mas histórias e quantas de diversos estilos e para todos os gostos, que se misturam à fumaça. Fico pensando, tentando encontrar sentido em tudo isso. Acordar pela manhã e colocar a chaleira, as panelas para se aquecerem nas labaredas formadas pela junção de vários pedaços de lenha, cortados, um dia antes, e armazenados por medo da chuva que poderia cair a qualquer instante da noite. Os canteiros com as verduras aguardam ansiosos pela visita de seus cuidadores. As galinhas que dormiram empoleiradas já desceram, pois sabem que aquele é o momento da jogada sublime do milho pelo terreiro gigantesco. Quantas coisas a fazer! Não há nada de espetacular para aqueles que já são acostumados a repetir, todos os dias, os mesmos movimentos. Dona Maria começa a fazer memória de acontecimentos do passado! De um saudoso tempo em que não havia televisão, nem celular e, muito menos, internet. As suas histórias são edificantes! Lembra do dia em que “seu” José correu do boi bravo. Ah! E da onça e de tantos outros animais ferozes encontrados na mata. Do primeiro namorado e como era o namoro na sua época. Logo vem a sua memória cansada relatos de seus pais e de como eram felizes na pequena casinha no alto do cerrado. Engraçado! Tinham pouco e ainda eram felizes! A felicidade não consiste em ajuntar muitas coisas, mas de descobrir o sentido de viver nos pequenos e sempre versos. A vida vale à pena ser vivida! Como, em toda casa antiga, há um relógio no alto da sala; as fotografias de família, aquelas, sabe, em preto e branco e sempre uniformes? Sim, essas mesmo! As mulheres sentadas e os homens em pé; as crianças em cima do colo de suas mães! Tempos bons! Em tempo, o almoço está servido. O cardápio é típico da roça: arroz, feijão bem grosso e um franguinho caipira, que a dona Maria faz questão de deixar claro: “Esse aí foi preso há alguns dias, pois precisa limpar a moela senão não dá para comer”. E, solta uma linda gargalhada! Seu José saboreia feliz o banquete de todos os dias. Não tem como esquecer a infância! De quando éramos moleques e corríamos pelo quintal, cuja principal intenção era acompanhar a vovó e o vovô em seus afazeres! Já, velhinhos, sempre passavam as mãos em nossas cabeças e diziam: “Quando crescerem não se esqueçam de seus avós!” Saudoso dia que um dos netos disse: “Vovó, esse sorvete está muito gostoso!” Jamais vou esquecer desse dia, o melhor dia das crianças! Por agora trago vivo na lembrança o meu sonho de criança, como bem cantava o padre Zezinho. É, a simplicidade revela-nos histórias, emoções e o desejo de estarmos sempre juntos, mesmo quando um deles está com Deus.

Pe. Edielson Bonin de Pádua

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