• Renan Gabriel

Barulho, inquietação: o mistério do sino, que soa


Eis o barulho, que se mistura ao vento, que lembra a não calmaria! Ao longe, uma máquina corta sutilmente o gramado. Provavelmente teremos um pequeno campo de futebol, a paixão dos brasileiros. Se não for isso, deve ser apenas um jardim lutando para ficar mais bonito, com as suas esferas aparadas. O sol nasce e, com ele, temos o calor misturado ao barulho dos sinos. Ufa! Há ao menos uma Igreja mantendo a tradição! O sino soa alto, no repique, lembrando-se da Santa Missa. Famílias inteiras se apressam, pois não podem pegar a homilia do padre pela metade. Barulhos e barulhos!

Da máquina, do sino, dos fiéis insistentes em boas prosas. De repente, vira-se uma senhora. Ela desajeitadamente grita! Há mais um barulho: o da voz aguda da cantora. O órgão anuncia a aclamação do Evangelho! Órgão e voz! Gritaria e converseiro! Lá do alto, o sacerdote eleva a hóstia, é Jesus, o Cordeiro Imolado, que mais uma vez se dá a conhecer! Novamente o sino soa, só que para anunciar a consagração. Lembra-nos da necessidade de concentração. Momento único! Não pode ser perdido, mas vivido com intensidade. Lá vai o padre! Sem piscar, o coroinha serve-o com presteza! Segue a risca todas as suas orientações, até mesmo o modo de amarrar os cadarços do sapato surrado pelo tempo. Sim! O sapato está velho. Talvez seja pelos longos quilômetros de terra percorridos. Mesmo assim a criança não desiste! Ela ouviu o sino que era tocado, desesperadamente, pelo sacristão do dia. Não contente, ainda chama a todos para prestigiarem mais um milagre. Milagre este, diariamente, vivenciado. Somos um milagre! Milagres do barulho, do sino, das catedrais, das pessoas, do gramado, da vida! Doce e bela vida desabrochada no pôr do sol, na beleza da natureza, na criação, nos irmãos...

A vida vale a pena ser vivida! Tocada como o sino, embalada pelo vento e calma, como o gramado cortado, que revela as suas moradoras mais ilustres, as formigas! Tão indefesas quanto a nossa vida, quando não cuidada. Formigas grandes e pequenas! Brancas e amarelas! Pretas e ruivas! Mistura de cores, particularidades do mundo animal. Indecifráveis pelo tempo, mas vista pela humanidade.

Ah! Não posso me esquecer, o barulho da máquina insiste em continuar. Agora chega até os confins. Será um campo? Um jardim? Não se tem notícia! Mas a senhora insiste em conversar! A cantora a cantar. O padre já acabou a missa. As famílias retornaram para as suas casas. E o prestativo coroinha amarrou os seus cadarços dos sapatos e, mais, limpou-o. Maravilhas da vida bela e feliz. Contemplar na simplicidade o essencial! O caminho mais lindo como a grama, às vezes, verde, às vezes, seca. Mesmo assim, sempre será grama, milagre de um novo amanhecer!


Padre Edielson Bonin de Pádua

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