A videira, a espinheira e o pé de ipê.

A videira, pequeno pé envolto a muitos galhos e ramas, que produz uvas e, para isso perde todas as suas folhas restando apenas o caule. Triste experiência de quem precisa perder tudo, para brotar novamente. As folhas caem, pois já estão secas e nada mais as prendem ao ramo grosso e robusto, ficam mortas. Como em um passe de mágica aquela outrora estéril fica verde novamente. E não só isso, agora carrega consigo os cachos, a vida, a alegria e os sentimentos de puro preenchimento. Características contrastantes com a vida. Precisa-se morrer, para compreender e colher os frutos.


Assim são as espinheiras, e como são! Trazem consigo os espinhos, as arestas mal podadas, os furões acidentais. Da janela percebe-se o pé de uva e o pé de espinheira. Uma produz uvas à outra espinhos. Em que se encontram? Na origem da vida. No morrer para crescer. No podar para frutificar. Sabe-se, que a espinheira tem um caule, como a uva; perde as folhas, como a uva; produz frutos como a uva. Quais? As flores, coloridas e sem cor. Enfeitam os olhos de quem as vê.


Não obstante as duas realidades propostas surge o pé de ipê. Grande árvore, que um dia fora pequeno e com o passar dos anos se tornou uma árvore frondosa. Ah! Ele também possui as mesmas características citadas anteriormente: Tem caule, folhas e flores. Algo o diferencia das outras: É alto, muito alto! Tudo isso, para dizer: Estamos em construção! Caímos como as folhas; experimentamos os espinhos, as desilusões, as dificuldades. Provamos os frutos verdadeiros oriundos de um cultivo bem realizado e contemplamos o colorido das flores.


No percurso nos deparamos com inúmeras situações: de um lado temos as fragilidades da vida: preparar a terra, regar, semear, como se fosse o nosso coração, que precisa ser cuidado, preenchido de coisas boas, de sementes produtivas. Do outro, as mazelas, a dificuldade de cuidar de tudo isso, onde há flores e frutos surgem os espinhos: pontiagudos, grandes e pequenos; perfurantes. Mesmo com as fragilidades e mazelas temos a grandiosidade de sermos filhos muitos amados de Deus, como o pé de ipê, que carrega consigo a fortaleza, na qual somos chamados a nos ancorar. O amor de Deus sobressai toda a improdutividade, pois é mais forte. Tenhamos a sensibilidade de experimentarmos um pouco de cada árvore, na certeza de colhermos os frutos verdadeiros, os frutos do AMOR. Pe. Edielson Bonin de Pádua

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